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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aves Exóticas


INTRODUÇÃO

Este guia não pretende ser um manual de introdução à observação de aves, nem um livro que substitua qualquer outro existente, mas sim um complemento específico a qualquer guia de aves que abranja as espécies de ocorrência regular em Portugal Continental, não sendo só por si auto-suficiente.


Euplectes afer






1. Aves exóticas: O que são e qual a importância do seu conhecimento

A ocorrência de aves exóticas a nidificar em liberdade em Portugal Continental remonta aos anos 1960, quando foram registados os primeiros Bicos-de-lacre na zona da Lagoa de Óbidos. Desde então tem vindo a verificar-se um aumento crescente no número de espécies exóticas que têm tentado nidificar em liberdade no nosso país. Em especial a partir do fim dos anos 1980 houve um explosivo aumento, quase exponencial, do número de registos de tais situações. É digno de nota o facto de, entre 1988 e 1998, ter sido observada a nidificação de, pelo menos, dezassete espécies de aves exóticas em liberdade no nosso país. Tal aumento no número de registos é devido, principalmente, a um crescente comércio de todo o tipo de animais exóticos, incluindo aves. Destas espécies sabe-se que apenas uma pequena parte provém de reprodução em cativeiro em países como a Holanda. De facto, uma grande percentagem tem origem directamente nos países onde essas espécies ocorrem em estado selvagem, em especial em países africanos, como o Senegal.


Todavia, de todas as espécies que foram introduzidas em Portugal, poucas constituíram populações viáveis ou, por outras palavras, poucas espécies conseguiram naturalizar-se. Estão neste caso o Periquito-de-colar, o Bico-de-lacre, o Bengali-vermelho e o Bispo-de-coroa-amarela.


Na linguagem popular, uma ave exótica é definida por ter cores berrantes e um aspecto estranho. Como mais adiante se verá, não é necessariamente assim. Neste guia entender-se-á por ave exótica qualquer espécie cuja área de distribuição natural se encontre fora dos limites do território continental português e cuja ocorrência no nosso país se deva a uma intervenção humana directa. Esta intervenção humana refere-se primeiramente ao acto de retirar as aves dos seus locais de origem e de as transportar, directa ou indirectamente, para Portugal. As aves poderão ocorrer em liberdade no nosso país devido quer a fugas acidentais quer a introduções deliberadas.


Excepto para o Bico-de-lacre, o conhecimento sobre as aves exóticas existentes em Portugal Continental é bastante reduzido, não havendo qualquer noção global acerca das suas populações. A ideia empírica geral é a de que as aves exóticas que neste momento nidificam no nosso país têm um impacto negativo sobre a avifauna autóctone. No entanto, o que na realidade se verifica é que há uma quase total ausência de estudos efectuados sobre esta problemática. De facto, não há qualquer base para afirmar que determinada espécie tem um impacto negativo. Só muito dificilmente se poderá prever quais serão os impactos concretos da introdução de uma espécie exótica. Actualmente não existe qualquer acompanhamento do evoluir da situação a nível nacional da maior parte das espécies naturalizadas ou em vias de se naturalizar.



2. Fontes de informação


A informação constante deste guia tem proveniências diversas. A maior parte provém da bibliografia que consta da listagem apresentada no final. Obras como Estrildid Finches of the World (Goodwin 1982) e Finches & Sparrows (Clement et al. 1993) foram decisivas na caracterização dos Estrildídeos.


No entanto, uma considerável parte da informação é devida ao acumular de muitas observações individuais de um grande número de pessoas. A informação relativa a épocas de nidificação e áreas de distribuição em Portugal só assim pôde ser conseguida. Será com base na acumulação dessa informação que muito se irá saber no futuro acerca das aves exóticas em Portugal.


A informação apresentada relativa a observações na Guiné-Bissau é da responsabilidade do autor.


A informação dada sobre período de incubação, número de ovos e tempo de permanência no ninho foi obtida, normalmente, de dados disponíveis para indivíduos em cativeiro.



3. Área e espécies abrangidas


Este guia cobre todo o território continental português. As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira ficam assim excluídas. As pranchas a cores cobrem 45 espécies. São aqui apresentadas 62 espécies pertencentes a grupos tão diferentes como os Psitaciformes, os Columbiformes e os Passeriformes. Destas espécies, 21 são tratadas de uma forma mais aprofundada, uma vez que a sua nidificação terá sido confirmada em Portugal Continental ou é tida como fortemente provável. Todas as restantes foram observadas em liberdade apenas ocasionalmente, não sendo a sua nidificação tida como provável, pelo menos até à data da realização deste guia. Estas últimas estão ilustradas num mínimo de plumagens e o seu texto encontra-se bastante resumido.


Duas espécies autóctones comuns (o Pardal-comum Passer domesticus e o Estominho-preto Sturnus unicolor) foram incluídas, uma vez que apresentam plumagem algo semelhante a algumas das aves ilustradas nas respectivas pranchas, possibilitando, assim, um termo de comparação.


Este guia não constitui a listagem completa de todas as espécies de aves exóticas que já ocorreram em liberdade em Portugal apresentando apenas aquelas das quais o autor teve conhecimento. Há que ter em conta que se trata de aves exóticas e que poderá ser observada em liberdade quase qualquer espécie de ave que exista em cativeiro e que logre escapar.



4. Nomenclatura das espécies


Os nomes científicos das espécies estão de acordo com Sibley & Monroe (1990). Para uma parte das aves aqui apresentadas, o autor não tinha conhecimento de nomes comuns em português. Foi assim necessário propor nomes novos, tentando não entrar em polémicas.



5. A introdução de aves exóticas em Portugal Continental


Portugal é visitado regularmente por aves de outros continentes que, possuindo boa capacidade de dispersão, aliada a um número de outros factores, como as condições atmosféricas, conseguiram fazer a "viagem" até ao nosso país. Estas aves são normalmente denominadas espécies acidentais ou divagantes naturais. Porém, desde há cerca de 40 anos, algumas espécies que não poderiam ter chegado de outra forma senão com a intervenção do Homem têm vindo a instalar-se, reproduzindo-se em liberdade e constituindo populações viáveis. A primeira espécie a conseguir constituir uma população viável (isto é, a naturalizar-se) foi o Bico-de-lacre, agora tão comum e praticamente omnipresente no nosso território. Esta é agora, possivelmente, uma das espécies mais abundantes da nossa avifauna. O facto de estas aves atingirem a maturidade sexual muito depressa, de nidificarem durante grande parte do ano e de, aparentemente, não terem encontrado concorrência por parte das espécies autóctones, terá ajudado a uma rápida expansão. Contudo, outras espécies se seguiram. Assim, nos finais dos anos 1970, o número de registos de aves exóticas em liberdade no nosso país começou a aumentar. Se, por um lado, isto poderia corresponder a um maior desenvolvimento da Ornitologia em Portugal, poderia também estar associado a um aumento no comércio destas espécies. Algumas, mais resistentes e robustas, conseguiram naturalizar-se, tal como já tinham feito noutras partes do mundo para onde tinham sido levadas. Assim, diversas espécies como o Periquito-de-colar, o Bengali-vermelho e o Bispo-de-coroa-amarela parecem ter-se juntado definitivamente à nossa avifauna. Actualmente, continua a assistir-se a um crescente número de registos de espécies que tentam nidificar ou que estão mesmo em vias de se naturalizar, como o Tecelão-de-cabeça-preta, espécie robusta e bastante agressiva.


As consequências de um aumento tão explosivo de espécies exóticas a nidificar no nosso país não são, por enquanto, muito evidentes, mas poderão ser muito graves num futuro próximo. Resultados possíveis poderão ser a eliminação de diversas espécies autóctones que sejam competidores mais fracos e o possível surgimento de pragas.



6. Identificação


Antes de se identificar uma qualquer espécie que se nos depare no campo com a ajuda deste guia, é necessário ter em mente que ela poderá, simplesmente, nem sequer estar ilustrada. Este guia abrange espécies de aves exóticas que têm já uma população naturalizada ou já foram observadas uma vez em liberdade. Poderá acontecer, no entanto, que a espécie em causa esteja a ser observada pela primeira vez em liberdade em Portugal. É necessário não tentar "encaixar" a espécie observada numa das apresentadas, mas antes verificar se, de facto, corresponde a alguma delas.


Há que ter em atenção diversos pontos ao tentar identificar uma ave. Em primeiro lugar há que ter a certeza de que, realmente, se trata de uma espécie exótica e não apenas uma plumagem menos conhecida de uma espécie autóctone. Na plumagem da ave há diversos pontos importantes que convém verificar de forma a proceder a uma identificação segura. Entre eles, a observação da estrutura do bico poderá revelar-se importante. A ave deverá ser observada com tanto pormenor quanto possível pois, se geralmente as aves exóticas constantes deste guia são relativamente fáceis de identificar, algumas há que poderão gerar confusão se forem "mal observadas", como é o caso de algumas espécies do género Estrilda e fêmeas do género Euplectes. Os chamamentos emitidos por uma ave são mais um indicador, sendo muitas vezes típicos do género ou mesmo de uma espécie em particular. Estes chamamentos poderão ser aprendidos procurando a espécie pretendida em casas de animais onde será também possível para o observador familiarizar-se com as plumagens das espécies em questão. Deverão ser tomadas notas no campo no momento ou pouco depois de se observar uma ave sobre cuja identidade existam dúvidas. Chamamentos não descritos ou pouco familiares também deverão ser anotados, permitindo assim uma crescente familiarização com as aves em questão. Um esboço ou esquema simples poderá ser acrescentado às notas, permitindo poupar muitas palavras e tempo.





7. Aves exóticas: onde, como e quando procurar


Não se trata de "caçar" aves exóticas, mas antes de conhecer o mais aproximadamente possível a realidade actual da nossa avifauna. A maior parte das espécies que ocorrem no nosso país está muito localizada, contando (na sua maioria) com poucos efectivos. Não será sensato ir para o campo observar aves exóticas, pensando que haverá igual probabilidade de as encontrar em Trás-os-Montes, na planície alentejana ou numa zona húmida perto de Lisboa. Há que dar prioridade a determinados locais em detrimento de outros. Assim, jardins e parques públicos (como o Parque Florestal de Monsanto ou o Jardim da Estrela, ambos em Lisboa), pauis e outras zonas húmidas localizadas perto de zonas urbanas serão bons locais para as procurar, enquanto que zonas áridas, zonas extensamente arborizadas e zonas de grande altitude serão locais menos favoráveis. A época do ano é também um factor a considerar. As espécies exóticas que ocorrem em liberdade em Portugal Continental são, na sua maioria, provenientes de zonas tropicais, onde muitas vezes, a nidificação decorre em simultâneo com a época das chuvas.







Euplectes progne



http://www.triplov.com/matias/index.html

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Araras Azuis

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