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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Lenda da Gralha azul



A LENDA DA GRALHA AZUL

Era madrugada, o sol não demoraria a nascer e a gralha ainda estava acomodada no galho amigo onde dormira à noite, quando ouviu a batida aguda do machado e o gemido surdo do pinheiro. Lá estava o machadeiro golpeando a árvore para transformá-la em tábuas. Quantos anos levou a natureza para que o pinheiro atingisse aquele porte majestoso? E agora, em poucas horas, estaria estendido no solo, desgalhado e pronto para entrar na serraria do grotão. A gralha acordou assustada. As pancadas repetidas pareciam repercutir em seu coração. Num momento de desespero e agonia, partiu em vôo vertical, subindo cada vez mais. Subiu muito além das nuvens para não ouvir mais os estertores do pinheiro amigo. Já lá nas alturas, escutou uma voz cheia de ternura:

- Ainda bem que as aves se revoltam com as dores alheias.

A gralha ainda ouvia os golpes do machado e assim subiu ainda mais, na imensidão. Novamente a mesma voz a ela se dirigiu:

- Ah, bela ave! De hoje em diante, Eu a vestirei de azul, da cor deste céu e, ao voltar aos pinheirais, você vai ser minha ajudante, vai plantar os pinheiros. Volte avezinha bondosa, vai novamente para os pinheirais …O pinheiro é o símbolo da fraternidade, com seus braços abertos para todos. Ele dá um fruto que mata a fome no inverno. Ao comer o pinhão, tira-lhe primeiramente a cabeça, para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca. Nunca esquece de, antes de terminar o seu repasto, enterrar alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que a podridão não destrua o novo pinheiro que dali nascerá. Assim tu, ave amiga, irá plantar pinheiros e manter a vida com os pinheiros que vão nascendo. “Do pinheiro nasce a pinha, da pinha nasce o pinhão… “.

A gralha por uns instantes atingiu as alturas, parou no vôo e olhou-se. Que surpresa! Onde seus olhos conseguiam ver o seu próprio corpo, observou que estava toda azul. Um azul profundo, brilhante, lindo! Somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Sim preto, porque ela é um corvídeo. Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu, compreendeu o que a voz disse e voltou feliz para os pinheirais. Tão alegre ficou que seu canto passou a ser um verdadeiro alarido que mais parece com vozes de crianças brincando.


A gralha azul voltou. Alegre e feliz iniciou seu trabalho de ajudante celeste: plantar pinheiros nas matas. E assim, o pinhão, esta semente que alegra as festas, onde o as pessoas compartilham a vida, histórias, alegrias, sempre acaba fazendo barulho, de vozes, de risos… É como um bando de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheirais. E os pinheiros altivos mostra seus galhos como braços abertos, permanentemente acolhendo a todos que veem uma bela floresta de araucárias.

Fonte: Adaptado do Texto de Alceu Maynard Araújo

http://terrasdosul.pampasonline.com.br/lendas.htm

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